Porquê que as mulheres africanas usam tissagem se não cuidam dela?

 

Olá rainhas.

Antes de mais peço desculpa pela frontalidade do post, mas não peço desculpa por dizer a verdade.

Cabelo na comunidade negra é um tópico complicado e volátil. Historicamente, cabelos lisos e encaracolados ou ondulados são vistos como mais socialmente aceitáveis em relação ao cabelo crespo, isto porque é visto como mais próximo do cabelos dos brancos. A verdade tem as suas raízes na escravatura. Durante a escravatura, pessoas negras de pele mais clara e cabelo encaracolado eram mais propensas a serem escravas domésticas, enquanto pessoas negras de pele mais escura e cabelo crespo (carapinha) faziam os trabalhos mais pesados nos campos. Na África estilos excêntricos de cabelo entre as tribos eram uma fonte de orgulho mas os senhores de escravos faziam-os sentir envergonhados com a aparência deles, e nem se referiam ao cabelo deles como cabelo e sim como lã. Esta era uma maneira de fazerem sentir os escravos como seres inferiores.

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No entanto, a resposta a esta pergunta não é tão simples como “por causa do padrão europeu de beleza”. Quero dizer, sim, parte da razão pela qual as mulheres negras usam tissagem (nota que eu não disse “cabelo falso” – se tu comprares, é teu) é porque cabelo preto natural é visto como inadequado, desarrumado, selvagem, indisciplinado e socialmente inaceitável. Mas acho que é apenas parte da história. Embora tissagens, postiços, etc, sejam convenientes,  porque é que as mulheres negras querem os seus cabelos mais longos e lisos?

Em parte porque a nossa sociedade diz que o cabelo comprido e liso é lindo. Somos constantemente bombardeadas com publicidade e vídeos musicais com mulheres negras a favorecerem mais os postiços em vez de valorizar o próprio cabelo.  … mas também em parte porque elas cresceram a admirar e a desejar quando o que deveriam ter aprendido com os pais era amar e aceitar o cabelo que tem.  E eu continuo a não conseguir perceber este fascínio.

No entanto  não acho que as mulheres negras  querem “parecer brancas”, mesmo as mulheres negras que usam permanentes. As mulheres negras fazem essas coisas porque, como disse uma amiga minha, o nosso cabelo consome muito tempo. Eu discordo com as suas estimativas de tempo. Tempo é relativo. A quantidade de tempo gasto com cabelo natural pode variar de acordo com a pessoa, o tipo de cabelo e o estilo de cabelo. Tranças são simplesmente convenientes, assim como desfrisar o cabelo.

Nós todas temos um tipo de cabelo que desafia a gravidade. Para mim é uma maneira bonita de dizer que a natureza nos fez a todas rainhas porque todas temos uma coroa😉

Eu nunca fui muito a favor de usar postiços mas no entanto houve uma fase nos meus vinte e poucos anos em que usei tranças postiças. Na verdade eu desgosto de postiços, tissagem, perucas o que quiserem chamar. Mas o que realmente me deixa indignada é as mulheres africanas deixarem a mesma tissagem durante 2, 3 e 4 meses seguidos,(e ás vezes mais tempo) e muitas delas só lavarem o cabelo 1 vez por mês e nem se lembram que têm um cabelo por de trás da tissagem que necessita de atenção! A sério não façam isso, é doloroso ver isso todos os dias, não há uma que acerta. Nada!

O que me revolta nesta situação toda é que a maioria não quer cuidar por ser chato e inconveniente de o fazer, (o cabelo natural) mas estão dispostas a gastar dinheiro para por cabelo postiço que não cuidam ou não sabem cuidar. Basta sair de casa para olhar com descrença as cabeças. Não é bonito e as pessoas comentam isso, eu comento isso. Nota-se.

 

Se vais usar tissagem tens que a cuidar. Ponto final. Se não consegues dar a atenção ou gastar o dinheiro que é preciso gastar então fica pelo o teu cabelo natural e aprende a cuidar do teu. A Internet está cheia de informação de como cuidar do cabelo. Do nosso cabelo.

 

Um cabelo mal tratado dá sempre origem a comentários negativos desnecessários, já somos criticadas e mal vistas por tanta coisa. Porquê então permitir que o continuem a fazer.  Fico ‘revoltada’ com a aplicação de algumas tissagens que vejo e a maneira como são tratadas. Não sou nenhuma expert na matéria mas conheço alguns métodos de aplicação de tissagem: cola, costura (sew-in), elástico (fio-a-fio) e ganchos (clip-in). Penso que o método mais comum de aplicação aqui em Portugal em mulheres africanas é por costura. Pelo menos é os que eu mais vejo em pessoas conhecidas. Para mim por postiços  é como estar na prisão. Tu estás enjaulada. O teu cabelo governa-te.

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É muito triste escrever isto mas é raríssimo ver uma cabeleira africana com tissagem cuidada. Nem todas podem manter viagens para o salão e largar 200€ e 300€ cada 4 a 5 semanas, mas o problema é que muitas primas vão por na mesma essas tissagens de  fantasia sabendo muito bem elas que não podem substituí-los dentro do período de tempo que é necessário. O resultado? A infeliz prima sentada à tua frente no metro ou autocarro com a cabeça cheia de cabelo emaranhado que mais parece um ninho seco e um leve cheiro de mofo. Ande está o vosso brio?

É verdade que cuidar de cabelo natural requer tempo e muita paciência mas no final vale muito mais a pena e é muito mais motivo de orgulho. O cabelo das mulheres africanas varia muito, vai do mais crespo (mais conhecido como carapinha) aos canudos largos, cacheados e soltos. Todos tem o seu método para cuidar. Aceita-o e cuida do teu cabelo. O nosso cabelo é a nossa coroa. Se está com um bad hair day, eis a tua oportunidade de usar panos africanos na cabeça.

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Educação é necessária no cuidado do cabelo africano. Há uma percepção de que o cabelo natural é cabelo desleixado. Um pouco de educação precisa ser feito aqui. Eu sei que o cabelo natural pode parecer arrumado também. Basta quereres.

 Regras de ouro antes de colocares tissagem

Segue à risca as regras de ouro antes de colocares tissagens.

1. Considera o teu estilo de vida. Se trabalhas numa cozinha onde suas o dia todo e possivelmente usas uma touca, se recebes um ordenado baixo já sabes de antemão que não vais poder manter um bom aspecto o teu novo cabelo. É preferível não usares. As mulheres que entram nos videoclips têm dinheiro para manter esse estilo de vida. Tu tens?

2. Compra a correspondência de cores correta. Estar fora da cor, até mesmo por uma sombra, é logo um indicador de que estás usar cabelo postiço. A maneira mais precisa é combinar a cor com as pontas dos teus cabelos, não as raízes, e usar a cor que é mais predominante no teu cabelo natural.

3. Ostenta a qualidadeExtensões sintéticas são as mais acessíveis, sim, mas enrolam-se facilmente e são muito brilhantes, o que faz com que pareçam naturalmente anti-naturais. O cabelo não-virgem significa que foi processado – ou tingido ou tratado para mudar sua textura e também não é o ideal, já que está mais danificado. Procura extensões de qualidade que sejam o mais próximos do teu cabelo verdadeiro, dentro da mesma textura, o que não vais encontrar com as opções mais baratas. O objectivo é que não pareça estares a usar cabelo postiço. Não é verdade? Quando sais à rua, ninguém deveria ser capaz de dizer que estás a usar tissagem.

4. Faz o trabalho de manutenção. Assim como o teu cabelo natural, as tissagens ou extensões,  precisam de uma lavagem regular e de constante retoque ou tratamento.

5. Saber quando é altura de as tirar. Quando as pessoas dizem que as extensões danificam o cabelo, isso é porque  realmente o danifica, especialmente se não for feito por um profissional ou porque elas não foram removidas profissionalmente.  Tens que as manter dentro dos prazos.  Não podes usar extensões que foram feitas para seis semanas e usá-las por três meses a fio sem retocar. Outra maneira de evitar danos no couro cabeludo e fragilizar o cabelo é ter certeza de que elas não são muito pesadas porque podem levar à quebra do teu cabelo e à Alopeceia por tracção .

Tens que ter cuidado com isso, porque se o postiço pesar demais no teu cabelo, eventualmente o teu cabelo vai cair. Tissagem nunca deve cair, e não devem causar dor também. Não deves sentir que tens na cabeça mas se o sentires, volta para o salão para ter certeza de que eles estão no lugar certo. 

Se vais optar por experimentar uma tissagem ou queres continuar a usar, então certifica-te de que estás preparada para lidar com os custos e a manutenção associados . Só uses tissagem se conseguires dizer a ti própria “Eu sinto-me confiante com ou sem tissagem!”. Não uses tissagem porque tens vergonha do teu cabelo ou não te apetece lidar com o teu cabelo. As mulheres não se devem sentir feias quando estão sem tissagem, isso não deve acontecer! Se acontecer é porque não estás a tratar devidamente do teu cabelo! 

É importante que permaneças com a tissagem no máximo 1 mês. Extensões, postiços, tissagem de cabelo, podem ser super fabulosas… mas tens que fazer a tua parte! Se não o fizeres, as ruas vão notar, querida. As ruas vão notar😒

NOTA: Tissagem  feita pela amiga da zona não quer dizer que seja profissional, mesmo que ela já tenha feito 1000 vezes. Nós todas temos a tendência de ser demasiado tolerantes  e confiarmos demais  nosso cabelo às pessoas que conhecemos. Amigos amigos, negócios à parte. Independentemente da tua escolha, cuida melhor do cabelo, que como as mãos, também é um cartão de visita.

Beijinhos rainhas❤

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O legado da comida Africana.

Olá minhas Rainhas,

 

África é o berço maravilhoso de milhares de tribos, etnias e grupos sociais. No que diz respeito a um prato unicamente típico africano, não existe. Uma coisa é certa; todos os africanos tem o hábito de misturar tudo dentro de uma panela.😊 A diversidade deste bonito e complexo continente, reflecte-se na cozinha africana que foi fortemente influenciada pelos colonos europeus que ali passaram, pelo o comércio de escravos e pelos alimentos indígenas, no uso de ingredientes básicos assim como na preparação e técnicas culinárias.

Tive a oportunidade de provar alguns pratos autênticos africanos e não foram poucos. Nomeadamente de Angola por parte da família do meu irmão e enquanto estive em Inglaterra, Londres, onde vivi mais de metade da minha vida, foram os pratos típicos do Gana, Serra Leoa, Etiópia, Eritreia, Egipto, Marrocos, Nigéria, África do Sul, Ilha das Canárias e claro Cabo verde, terra dos meus pais e dos meus antepassados. Em Inglaterra, principalmente na capital, há uma diversidade de nacionalidades enorme nomeadamente as que mencionei em cima. Com o  passar dos anos o meu leque de amizades foi alargando e com isso surgiram sempre oportunidades de ser convidada para jantares das famílias de amigos (africano tem família grande) e com isso também a oportunidade de conhecer culturas e costumes africanos diferentes além dos meus.

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Eu comi pratos confeccionados de maneiras inesperadas, cheias de sabor, cheiros maravilhosos, sempre coloridos, muitas vezes picantes e todos eles cheios de histórias e bonitas tradições que infelizmente estão a ser substitutas pela industria do fast-food ou comida de plástico como eu gosto de chamar😒

Aproveito para partilhar convosco alguns nomes dos pratos que comi e repeti várias vezes durante muito tempo. Uma coisa é certa, todo o africano adora uma mesa farta. O dom de partilhar e do convívio está no nosso sangue.

 

De um casal amigo sul-africano, Zerina e Xeloni eram as pies (nome em inglês) tipo uma mistura de rissóis sem o pão ralado e pastel de massa tenra, com recheios variados. O petisco de eleição dos sul-africanos, com o piripiri que é original de Portugal e fácil de encontrar em qualquer casa de Sul africanos (era a minha alegria porque adoro picante).  Amizades de Marrocos fizeram-me uma apaixonada por cuzcuz. Do Gana o maravilhoso Fufu que é feito a partir da mandioca e do inhame e que faz lembrar muito o prato angolano, o funge de mandioca. As injeras da Somália ou da Etiópia, que são muito parecidas a panquecas muito fofinhas com vários recheios diferentes e que se come com as mãos. A África ocidental e central foi onde sofreu menos influencia europeia. Aqui a cozinha de algumas regiões continua próxima dos ingredientes e técnicas tradicionais. O arroz jollof  da Nigéria ou outra região do oeste africano é um prato de arroz com tomate e pasta de tomate com muitas especiarias (que os africanos gostam de usar  e tem uma grande influência dos Árabes) que se come com peixe, carne, como a galinha ou como eu, só o arroz com mais molho de tomate em cima.  Lembro-me de ver o meu amigo Eddie a cozinhar sempre com polpa de tomate, sem falhas.  Os pratos angolanos como a muamba de galinha ou a cachupa de cabo-verde são mais conhecidos e provavelmente muitas de vocês já o comeram. Da Guiné a mancarra com óleo de palma ou moqueca de peixe.  Não vou escrever sobre doces, porque a lista ia ser interminável. Já fui mais, mas ainda sou muito gulosa e não podia deixar de mencionar um doce que tenho muitas saudades de comer ou melhor, devorar. Shuku Shuku são bolinhas de leite coco e caramelo...que delícia.

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Estes tenho a receita e costumo fazer em casa😁

Enfim, são muitos os pratos que comi mas confesso que não me recordo de todos os nomes, no entanto se tiverem à minha frente rapidamente os reconheceria. Quanto à comida de cabo-verde, ao longo da minha vida já experimentei de tudo, graças à minha avó e à minha mãe,  sorte a minha. Claro está que não gosto de tudo, mas experimentei.  O melhor para mim é sem dúvida, cachupa refogada com ovo estrelado e uma caneca de café acabado de fazer 😉 Neste momento a escrever este post, estou a comer bolachas de cabo verde com uma caneca de café com leite 🙂 Sem comentários 😉

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Deixo-vos também algumas referências de restaurantes africanos em Lisboa que conheci, para irem experimentar.  Jantar fora, não é só Rodízios, Sushi, McDonald´s, comida portuguesa, Hardrock Cafe, entre outros. A culinária africana é tão diversificada quanto o próprio continente. É um autêntico mundo de sabores e experiências gastronómicas uns mais exóticos que outros.

  1. Casa da Morna e Semba é considerado um dos mais conceituados restaurantes de comida africana em Lisboa.
  2. Restaurante São Cristóvão é um restaurante simples tipo tasquinha,  comida caseira e com musica ao vivo.
  3. Mesa Kreol é um restaurante pequeno, sabores cabo-verdianos com preços razoáveis em plena baixa. Serviço atencioso e musica ao vivo.
  4. Roda Viva é um restaurante moçambicano pequeno mas muito acolhedor, preços acessíveis e óptima comida.
  5. Estrela Morena vale a pena comer aqui.
  6. A Cartuxinha espaço acolhedor, bom serviço e comida autêntica de S.Tomé.
  7. Casa de Angola é um restaurante especializado em gastronomia angolana, em ambiente cultural.
  8. Restaurante Anastacia é um espaço elegante, com uma selecção de musica muito boa e com pratos muito bons.  A equipa é cinco estrelas.

Os restaurantes a cima mencionados estão dentro dos que eu já visitei e dentro das nacionalidades que Portugal mais tem, principalmente de Cabo-verde, Angola, Moçambique e São Tomé.  Neste momento ando de olho em dois restaurantes que quero ir experimentar com o meu marido. Um é comida marroquina e o outro etíope 😉

No entanto não quero deixar de escrever que alguns restaurantes são mais simples que outros, umas coisas menos boas ou melhores que outros mas, todos foram de uma certa forma uma boa experiência e gostaria muito de saber a vossa opinião caso decidam experimentar.

Entre muitas coisas que nos definem como africanos a comida é o que nos enche o coração, a alma, que nos faz reviver memórias vezes sem conta e que faz parte da nossa herança.

Beijinhos rainhas e panelas ao lume 😉

 

 

 

“Que seu remédio seja seu alimento e que seu alimento seja seu remédio”

 

Olá minhas rainhas 🙂

 

O título por si só faz muito sentido. Foi escrito pelo o que muitos consideram ser o “pai da medicina ocidental”  e grande filósofo grego, Hipócrates.

Hipócrates sabia que a alimentação correcta, tinha um papel muito importante na saúde e bem estar dum indivíduo.

 

É na alimentação que vamos buscar os nutrientes necessários para o bom funcionamento do nosso organismo. Muitos males podem ser evitados, simplesmente optando para uma alimentação mais correcta e mais viva.

Eu considero que o meu corpo é o meu templo e um templo é sagrado, tem que ser estimado e cuidado. Não foi tarefa fácil eu fazer o “desmame” das comidas que me acompanharam toda a minha vida.  Falo das bolachas, os cereais,  as gomas, os chocolates, as batatas fritas, os doritos, os queijos, o chouriço, o fiambre,  Macdonald´s, KFC, Pizza Hut, pizzas congeladas, comidas pré feitas e congeladas, os iogurtes, a  mayonese, enfim, muita coisa. Muita coisa mesmo.

A má alimentação infelizmente começa muito cedo na infância. É na infância que somos bombardeados constantemente com publicidade enganosa. Empresas gastam fortunas em publicidade e com celebridades, de modo a dar credibilidade aos seus produtos, para comida não saudável para crianças.  Um bom e recorrente exemplo, é a publicidade direccionada aos mais pequenos, nos intervalos dos desenhos animados da manhã. São os mesmos que estão estampados nas caixas dos cereais, oferta de bonecas e bonecos com refeições do McDonalds  ou chocolates da Kinder com oferta de mais bonecos. A lista é infindável.

As crianças e adultos nas zonas mais empobrecidas da cidade, estão 5 vezes mais expostas e consomem mais  fast food e take aways que os da classe média- alta. Considero um erro pensarem que comer saudável é mais caro, porque não é.  Não é tão conveniente apenas porque perde-se mais tempo  na preparação. Isso é verdade.

Como os maus hábitos alimentares se adquirem depressa, além das comidas enlatadas e processadas em Portugal, a fast-food,  veio substituir sorrateiramente a alimentação saudável pela qual Portugal é conhecido. A dieta mediterrânica. A dieta mediterrânica baseia-se no consumo de alimentos naturais e frescos como o peixe e marisco, leguminosas secas (feijão, grão, favas), pão de mistura, hortaliças, tubérculos, frutas e por fim, o azeite em quantidades moderadas. A favor da dieta, o consumo de carne vermelha era muito menor.

É imprescindível dar bons exemplos e ensinar ás crianças a comer mais saudável. Informá-los desde cedo, de onde a comida vem e como é preparada antes de chegar aos pratos. Sei que é difícil num mundo sobrecarregado de  informação visual juntamente com a correria do dia a dia e a falta de tempo. O excesso de peso e a obesidade, deixou de ser só uma coisa dos Estados Unidos. Ela está aqui e é uma realidade. Olha à tua volta.

O exercício também é fundamental.  É necessário uma boa dose de força de vontade, encontrar um equilíbrio fazendo o que gostas e uma boa gestão do teu tempo. Isso já é meio caminho andado.

Porém com tanta informação disponível e ao alcance de todos em pleno 2018, as pessoas continuam a comer o que aos poucos lhes está a matar. O veneno da comida processada e industrializada carregadas com o pior veneno de todos. O açúcar!

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Porque é que deves evitar comer comida processada

 

  • Comida processada está ligada a muitas doenças: doenças cardiovasculares, alérgicas, degenerativas crónicas (como o cancro), obesidade, entre outras.
  • Comida processada contem muito açúcar: ao longo dos anos tem-se tornado mais evidente que o açúcar está presente e em quantidades astronómicas, em toda a comida processada. Com isso estamos mais expostos a mais doenças. Reduz o consumo do açúcar na tua alimentação e quando digo açúcar digo adoçantes artificiais também.
  • Comidas processadas contém demasiada gordura (a que faz mal): gorduras saudáveis dos frutos secos, sementes e abacates, são óptimos para o teu corpo, mas comidas processadas contém gorduras refinadas transgénicas. Gorduras transgénicas estão interligadas com doenças de coração, colesterol alto e diabetes.
  • Comidas processadas tornam-te depressiva e tiram-te a concentração: toda essa gordura, açúcar e sal, estão a tornar o teu corpo muito infeliz. Cura o teu corpo com comida viva e verdadeira...
  • Comida processada contém corantes, aditivos e ingredientes artificiais
  • Comida processada tem pouca ou nenhuma fibra
  • Comida processada é viciante e dá vontade de comer mais comida processada
  • Comida processada esta carregada de OGM: organismos geneticamente modificados como o milho, soja, canola, semente de algodão (óleo) são quase sempre encontrados nas comidas industrializadas. OGM contribui para um impacto negativo na nossa saúde.
  • Comida processada tem baixo valor nutricional
  • Comida processada faz mal à tua pele e ao teu hálito
  • Comida processada é mais cara. Faz as contas

 

Não vou dizer que é fácil porque não é. Tens de reajustar o teu paladar e reaprender a comer e a cozinhar. Mas vale a pena. Deves ao teu corpo, deves á tua boa saúde que pelo menos tentes. Gosto da ideia de chegar á velhice com boa saude.  Eu deixei de comer carne, derivados de animal e qualquer tipo de comida processada e industrializada.  Posso dizer-vos que passo mais tempo na cozinha mas é uma sensação maravilhosa saber o que estou a comer.

Não sou licenciada em nutrição e bem estar mas leio muito e pesquiso muito e posso garantir-vos que iram notar diferenças no vosso bem estar em geral. Diferenças sãs e positivas. Isso irá ser a vossa motivação e determinação para tomarem as decisões mais acertadas com benefícios a longo prazo.

O meu desafio para vocês rainhas. Cuidar do vosso templo. Melhorem a vossa alimentação. Tomem a decisão de ser saudável. Pensem no futuro a longo prazo.

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Beijos rainhas.


 

Somos África e somos Portugal! Não somos nenhum incómodo!

Olá minhas rainhas. Já passou algum tempo, eu sei. Infelizmente foi inevitável.

Mas estou aqui agora! 🙂

Um dia destes, enquanto estava no metro, a caminho do Colombo, ouvi um grupo de jovens africanos, mais propriamente de Cabo- Verde,  a comentarem que não se sentiam parte de Portugal, mesmo tendo nascido cá. Diziam-no após uma troca de palavras com um senhor Português, que lhes disse, aquela famosa frase que muitos já ouviram. ” Vai para a tua terra” . A sério??! Como podem ainda certos Portugueses, acharem que somos um incómodo para a sociedade?

 

 

 

 

Eu só incomodo os fracos....

 

Com tanta história em comum, como podem pensar que não pertencemos?! Para mal ou bem, ambos influenciaram ambas as nações.

África e Portugal partilham um historial, com mais de 500 anos.  Com aspectos bons, maus e muitos deles esquecidos, intencionalmente ou não. As antigas colónias, permanecem literalmente no sangue Português.  Existe sangue africano na linhagem de grandes nomes Portugueses.  Só que poucos gostam do o mencionar como se fosse algo vergonhoso e pouco digno (Isto fica para outro Post) 

Aqui fica um pouco de historia para ti.  A maior afluência de emigrantes africanos, foi na década dos anos 70. São ainda hoje pouco reconhecidos e convenientemente pouco mencionados que foram os africanos, a grande mão de obra responsável  por muita coisa construída por este Portugal fora.  Para os milhares de africanos e descendentes de africanos (como eu) era suposto que esta “história em comum” nos proporcionasse uma melhor aceitação e melhor acolhimento na sociedade portuguesa.

Talvez seja por isso, entre muitas outras coisas, que os jovens africanos se sentem deslocados e não se identificam com os Portugueses, apesar da maioria (tal como eu) ter nascido em Portugal ou viver em Portugal há muitos anos.  São poucos os africanos que se revêm na sociedade Portuguesa.

A imagem que o  português tem em geral  do africano aqui em Portugal, continua a ser infelizmente associada a marginalidade, pouco ou nada civilizados e com pouco sucesso escolar. São maioria das vezes, ridicularizados e tratados  na maior parte das vezes, com muita indiferença entre os demais.  Profissionalmente são sempre reduzidos à construção civil, a profissões pouco qualificadas e em maioria das vezes, a trabalhos de e em grande precariedade, sem  esquecer a mão de obra barata.

Apesar de uma longa história em comum, continuam a ser raros os africanos que se destacam  e ascendem a posições com alguma relevância.

Sim, há muitos bairros problemáticos, mas os bairros estão como estão porque no passado se mostraram sempre indiferentes perante o crescimento acelerado de barracas de imigrantes. Fosse qual fosse a nacionalidade. Agora são um incómodo.

A resolução deste problema, foi continuamente adiada e com isso foi crescendo de tal forma que tornou-se incontrolável, e agora “são um incómodo”. Grande parte da culpa advém dos que nos ignoraram no princípio da década de 70. As políticas de realojamento foram e continuam a revelar-se um completo desastre descabido. Infelizmente não somos a única comunidade nesta situação aqui em Portugal. Situação que ainda hoje se mantém.

Por estas e muitas outras razões, não te sintas um incómodo, pois não deves nada a ninguém.

África faz parte de Portugal quer queiram quer não.

O que os outros pensam não é problema teu! Tu deves a ti e aos teus antepassados, libertar-te dessas correntes invisíveis colocadas pela sociedade e consequentemente por ti próprio.

 

 

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Eu, sou sangue de escravos e sangue Português.

Eu sou África e sou Portugal.

Eu não sou nenhum incómodo!

 

Beijinhos 🙂

 

Pedido de inclusão – Carta aberta à revista Máxima.

 

Cara revista Máxima,

Sou uma fan incondicional, como tantas outras, da vossa revista…

Por essa razão escrevo-vos esta carta aberta pois estou muito indignada e tenho a certeza que não sou a única.

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No manifesto escrito por Manuel Dias Coelho, na edição de Setembro de 2017, ele escreveu que nós (as leitoras) “somos uma participação no pulsar desta revista”. Se assim o somos então algumas fieís leitoras estão certamente excluídas.
No seu regresso a casa viu certamente mudanças na cultura Portuguesa. Mudanças estas que têm crescido juntamente com o desenvolvimento da vossa revista.
Essas mudanças devem-se a diversidade cultural em Portugal, nomeadamente à cultura Africana em Portugal, principalmente em Lisboa.
Também nesse manifesto dizia-se “A Máxima conseguiu feitos memoráveis no panorama das revistas femininas nacionais…” Sim foi a primeira revista a publicar na capa uma modelo não caucasiana, no entanto falta (deliberadamente ou não) a vertente da multiculturalidade na revista. Nomeadamente, a Africana.
A minha pergunta é: como é possível ainda não haver uma revista ou um suplemento semanal, dedicado à mulher negra de Portugal?

Não há uma única revista portuguesa para adolescentes e mulheres africanas. Também elas são portuguesas, também elas compram revistas.
No manifesto também se fala da dificuldade que se tinha no passado em obter uma revista estrangeira e o quanto era caro. Pois ainda são! Eu como tantas outras, somos obrigadas a comprar revistas estrangeiras. Faltam referências em Portugal, direccionadas para mulher negra, nomeadamente no que toca às ultimas novidades de produtos para o corpo e rosto (necessidades diferentes), de maquilhagem, de perfumes (os perfumes na pele negra cheiram diferentes), de cabelo (temos vários tipos) e de tendências (os gostos são diferentes).  Somos obrigadas a comprar revistas estrangeiras mas o que queríamos era comprar revistas Portuguesas. Sei que a pesquisa requer tempo e dedicação. Mas não merecemos tal dedicação e empenho?

Uma revista como a Máxima que tem uma posição marcada à frente da concorrência, que se diz visionária e que “conseguiu feitos memoráveis no panorama das revistas femininas nacionais” deveria explorar e abordar mais esta cultura da qual partilhamos mais de 500 anos de história comum.

Tal como muitas leitoras africanas, gastamos o nosso dinheiro (algumas apenas quando podem) nas vossas revistas semanalmente/mensalmente, apenas para auferir de uma pequena parte da informação que tenha alguma relevância para nós. Na minha opinião o vosso departamento criativo e de pesquisa estão a falhar redondamente.

Não era tempo de investir em nós? Procurar escutar as necessidades da mulher negra, pesquisar, experimentar, comparar,escrever sobre o resultado, aconselhar, e publicar.

Público não vai faltar de certeza.

Em nome das Rainhas Africanas de Portugal.

Com os melhores cumprimentos

MC

 

 

23 declarações inspiradoras de mulheres negras para derrubar qualquer preconceito — Geledés

Ter a pele negra e o cabelo crespo são características que, historicamente, fazem com que mulheres ouçam verdadeiros absurdos preconceituosos. Lutando contra isso, muitas celebridades já proferiram frases inspiradoras, que deveriam ser lidas e ouvidas por todas as pessoas para, assim, derrubar o racismo que está imerso na cultura popular. A seguir, veja algumas das…

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Afro-ismos e outras cenas — Escreve Eliana, Escreve

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